Marcas de infância

Ela quer subir em árvores, descer nos morros de terra… descobrir seus limites… Brincar! Ser criança!

É aventureira e cada dia quer subir mais alto. “Mamãe, fica olhando”; e fico mesmo, e coloco a mão e tento segurar, medindo a altura e a possibilidade ou não da queda.

A mim cabe, estar ali, acompanhar e respeitar. São suas experiências, suas descobertas, seu tempo… seu brincar!

E cair e se machucar também fazem parte do processo!Muitas vezes ela cai, se machuca, chora e tenho vontade de chorar junto, mas consigo me conter e dizer, que faz parte, que eu também já cai muito, já ralei muito o joelho, os cotovelos… que as vezes esses machucados ficam feios e deixam marcas por um “bom tempo”!

E temos vários tipos de marcas… os ralados e arranhões em nossos corpos que nos lembram que da próxima exploração precisamos ser mais cautelosos e nos esforçar mais para subir e descer sem quedas, sem dor… lembrança para evitação;

Mas também, nos lembram da parte boa, que foi bom e divertido ter feito, ter tentado e não desistido por medo de cair… a lembrança para reforço do que é bom; e também as marcas que ficam em nossas memórias, desse tempo de criança, de brincar e aprender, de cair e levantar, que até quando grande, caímos em algumas situações mas precisamos lembrar de levantar sempre e tentar de novo!

Nesses momentos falamos um pouco do medo; que pode ser prudência, que nem sempre é o momento para aquilo, mas as vezes pode ser encarado e vencido. E assim também, em muitas outras situações. Falamos de exemplos meus, de amigos, falamos de situações que temos medo, acontecimentos reais e que cada pessoa tem seus limites e encontram seu jeito de vencê-los. Como o rei disse ao Pequeno Príncipe: “…é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar…”

Nesse intervalo de lavar, limpar o machucado, passar o remédio e colocar o curativo de personagem, aprendemos muita coisa!

Ela aprende e conhece um pouco de mim, porque conto que eu também era assim, brincava, corria, machucava, chorava e voltava a brincar mais;

Eu aprendo dela… minha menina, é tão corajosa, destemida, exploradora, não se deixa vencer pelo medo de cair… uma molequinha, tão sapeca e tão menina…

Ela aprende dela, conhece um pouco da dor, de seus limites, mas também de suas conquistas e capacidades e habilidades, possibilidades e desafios…

Eu aprendo de mim… nossa, como me vejo, como me reconheço nela em alguns momentos… e no enfrentamento… que difícil! Olha ali meu espelho… o que fazer com isso que é meu e não necessariamente dela!?

Quando respeitamos o crescimento de nossos filhos, e seu tempo, deixamos brincar, descobrir, sujar, cair e levantar, estamos ensinando também o respeito ao outro, as diferenças, os tempos. E isso, também podemos aprender com eles, respeita-los, a vida é deles, e eles não somos nós, por mais “parecidos” que sejamos! Exercício diário de viver e deixar viver!!!

Esse respeitar não significa não dar limites. Definir de forma clara o que pode, deve ou não pode e não deve fazer, também é uma forma de educação respeitosa. E que eles “levam” para a vida, afinal, nem só de brincadeira vive a humanidade, mas de todo aprendizado que se pode ter dela!

Subir em arvores, escalar uma parede, descer na tiroleza ou brincar de escolinha com bonecas, trocar roupinhas e fazer comidinhas de folhas… correr, pique pega ou bandeira, futebol ou voley, caçar sapo a noite e não encontrar (rsrs). Infância boa é infância vivida, um pouquinho de cada coisa, como na musiquinha de brincar: “… um pouquinho de coca cola, um pouquinho de guaraná, o menino na escola aprendendo o B a BA…”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *