Identificação e Identidade

Fui provocada a pensar e escrever sobre IDENTIDADE IDENTIFICAÇÃO e a importância e participação dos pais.

A principio pensei que seria difícil falar sobre isso e transmitir, mas… passou um pouco e as ideias começaram a brotar e fui viajando…

Na psicanálise, no desejo da mulher quando está grávida e todas as expectativas que esta vai criando em torno da criança em formação… será uma grande mulher será um grande homem… Vieram também as questões atuais em torno da sexualidade e identidade de gênero.

Não gostaria de entrar em questões de gênero, nem defender ou acusar qualquer opinião, mas por outro lado, Freud quando disse que o menino se identifica com o pai e inconscientemente busca imitá-lo para conquistar o amor da mãe; ninguém o acusou de homofóbico ou de outro adjetivo de igual ordem…

Família é uma coisa, e séria! Mas pode e deve ser divertida!

Pai, mãe, tio, tia, sobrinhos, filhos, avós… papagaio, periquito, cachorro (não posso esquecer do Zeus e da Dady, cães da Raça Labrador do Canil Bandeira que participaram de uma forma emocionante no desenvolvimento da minha sobrinha) Todos importantes no crescimento, na identidade e identificação de cada um.

Bom, o fato é que a criança aprende muito mais com o que vive, vivencia e vê do que com o que a gente fala que ela tem que aprender, e se é assim, todos os personagens do convívio dela são “ensinantes”. Ela/Ele imita a professora dando aula, imitam a mãe dando bronca e o repetem com as bonecas ou com os amigos. Vejo muito isso!

A menina imita a mãe, se identifica com ela, ou com a tia e assim vai testando seu jeito de ser menina/mulher. O menino quando não joga futebol com o pai, gosta de carro e antes de saber falar direito já sabe as diferenças, marcas e modelos. Incrível isso!

Daí a importância de todos os integrantes participando desse processo. É saudável e gostoso para o pai mostrar ao filho como é ser homem, com todo o “desajeito” que lhes são peculiares (Sim, não nascemos sabendo ser mães e os pais também não nascem sabendo ser pais e alguns não sabem mesmo o que fazer com o filho e vamos todos aprendendo no dia a dia, é preciso vontade e amor). Continuando… A mãe vai mostrar como gosta deste homem e então o filho vai aprendendo também um pouco do que gostam as mulheres. Tá bom eu sei, já vi famílias em que o tio fazia esse papel e deu certo! Do mesmo modo, a menina vai aprendendo do que os homens gostam olhando e vivenciando as relações próximas, a mãe, a tia, a irmã mais velha…

Já vi casos de meninos identificados com a mãe, imitando-a em comportamentos e falas, sem nem se dar conta disto. E já vi mães dizerem que tudo bem se o filho não for homem. Se para eles está tudo bem, quem sou eu para dizer que não. Mas nestes casos, analisando as relações, os pais pouco aparecem no processo, no convívio, trabalham muito e não tem tempo para estarem em família. Um ponto bem difícil esse: o tempo!

Em um outro post, coloquei um pouco do que aprendi sobre permitir a entrada do pai na relação e educação da minha filha; e por essa experiência, que não significa que é a melhor e única e que sou dona da verdade, mas me coloco a pensar: será que essas famílias tentaram e permitiram efetivamente a participação do PAI?

Por instantes ecoaram mais uma vez, as aulas de clinica psicanalítica e as Teorias de Lacan sobre a entrada do terceiro, o pai, que, a “grosso modo”, seria em termos inconscientes a entrada da ordem, das regras e normas, tão necessários a vida em sociedade dita normal; sim normal porque os “loucos” não introjetaram essa ordem e deu no que deu: surto psicótico.

Voltando a identidade… a identificação

Vamos prosseguindo…

Reforçamos a importância da família, do pai, da mãe e das figuras que façam esses papéis no mundo da criança. Todos tem importância e papéis a serem desempenhados nesta família. E assim a criança vai crescendo e aprendendo e assumindo também seus papéis (funções)… papel de filha única ou de irmã do meio, irmão mais velho, papel de estudante, papel de filha do pai, filha da mãe, neta… e no desempenho de cada um desses papéis a criança vai vivenciando um pouco daquilo que aprende com seus pares e na vida.

Quando defendo o brincar junto, estou falando disso também, estou falando de ensinar a identificação do seu papel na família de forma brincante, de forma divertida, de forma que cada um possa aprender e se des-envolver um pouco a cada dia, a cada brincadeira.

Brinque mais!

Permita-se viver com a sua criança interior e com seus filhos!

D E S C U B R A – S E!

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